Sam Darnold, dos Seahawks, em ação no Super Bowl LX, contra os Patriots
O espetáculo do Super Bowl LXI perdeu o brilho com os comerciais feitos em IA?
Fugindo das repercussões do show do intervalo e o touchdown, algumas empresas de marketing aproveitaram o hype da IA e repercutiu criando conteúdo falso.
Lembro como se fosse hoje que em outubro de 2016 ganhei um presente de uma colega de trabalho: uma bola de futebol americano. A bola representava o time de futebol americano “Florida Gators”. Por coincidência, esse ano comecei a acompanhar as transmissões da NFL na TV a cabo, a temporada havia começado em setembro. Nos intervalos comerciais, — que sempre foram muitos —, tinha o costume de arremessar a bola para o alto enquanto assistia as propagandas repetitivas.
O Super Bowl LI aconteceu em fevereiro de 2017, e quem comandou o show do intervalo aquele ano foi a cantora Lady Gaga e os anúncios milionários. Embora o uso da tecnologia sempre fosse uma ferramenta para divulgação de produtos, como designer, eu sempre acompanhava a essência e a qualidade técnica exibidas no telão, ou nas reprises no YouTube. Mas os anos se passaram, cada Super Bowl novos produtos concorriam para ter uma representatividade nos telões do campo.

Após uma década acompanhando os jogos da NFL, como um NPC que tenta se desprender dos algoritmos, não foi difícil não notar como a transmissão deste ano foi inundada por “anúncios gerados por IA”:
— Onde foi parar a criatividade humana de comerciais que nos faziam chorar ou rir sem precisar de um processador para calcular o engajamento? —
2026 marcou esse momento de evolução, — ou seria involução? —. O peso do evento nas transmissões globais ainda é inegável — ver Patrick Mahomes executando jogadas que desafiam a lógica, ou assistir a vitória do Seattle Seahawks é o que me mantém preso nas transmissões —. O erro humano, o suor e o cansaço tornam o esporte emocionante vivo, porem, quando assisti as inserções feitas com inteligência artificial, o tom desafinou, — pelo menos para mim! —.
Sei que seria inevitável o uso da IA por empresas de marketing como ferramenta para divulgação de seus produtos — já que essa é a moda nas redes sociais —, mas aquelas cenas exibidas pela Starbucks não chegou ao nível do espetáculo como o Super Bowl. O tom destoou e perdeu o valor, se comparado a realidade do esporte vivido em campo. No final das contas, o Super Bowl ainda sobrevive como o maior evento da Terra, a emoção de um passe de 50 jardas no último segundo é algo que nenhum GPT consegue replicar.
Espero que em 2027, as empresas busquem a criatividade e produzam algo real sem o uso de IAs. A bola que ganhei da minha colega ainda está aqui nas minhas mãos, ela supera as bolas fakes recriadas com IA pela empresa de marketing que divulgou os produtos da Starbucks.

